Olá, meu nome é Emma, tenho 25
anos e sou viciada, sim, eu sou uma viciada em fracassos amorosos. Sou uma
experiência humana totalmente trágica no que diz respeito ao coração. Não ao
órgão em si, esse vai muito bem, funciona direitinho, tem batimentos regulares,
o sangue é bombeado sem qualquer alteração, nenhum antecedente cardiopata, essas coisas. Já o
amor, ah o amor, esse sofreu um derrame e ficou derramado por aí e pelo visto
não tem cura. Acabei chegando à conclusão de que se apaixonar não é pra qualquer
um, é sério, isso é trabalho para profissional e se arriscar nessa área é
contraindicado, além de ser extremamente perigoso e nocivo.
Voltando ao meu caso grave e,
diga-se de passagem, um tanto quanto suicida de distribuição incorreta de
sentimentos que por sua vez não são retribuídos, é um caso realmente sério, não sei nem
se é por falta de sorte no amor ou se é o dedo podre mesmo. No início é como
qualquer relacionamento, saudável e promissor, de repente eu me vejo numa
cilada (de novo), deve ser alguma intervenção de seres sem coração ou tão
amargos quanto chá de boldo e lá vou eu, passar pelo dessabor do pé na bunda,
da descoberta de uma segunda namorada, das crises de ciúmes descabidas, da
melação e assim vai, a lista é gigante e bem diversificada, chega a ser cômico (e um pouco apavorante), sendo assim eu resolvi que só apresento pros amigos depois de três meses, pra família só
depois do sexto. Enquanto isso minhas ex-colegas de faculdade, minhas vizinhas
e minhas primas, todas se casando, tendo filhos, abrindo mão da viagem de fim
de ano pra comprar uma geladeira pra casa nova e eu aqui, colecionando
relacionamentos mal sucedidos.
Ultimamente tenho cogitado a ideia
do celibato ou de namorar à distancia e ter um relacionamento aberto, tô
tentando até medicina alternativa pra ver se essa maldição sai um pouco, mas
assim como qualquer outro viciado em reabilitação ou a procura de um milagre,
eu vou viver cada dia (o mais distante possível de qualquer envolvimento
afetivo), longe dos sites que encontram o par perfeito, obedecendo todas as
regras de não cair em tentação -amém-, frequentando as reuniões dos "sem
amor próprio anônimos", do terreiro, do MST, do caramba à quatro e do que mais
for preciso.
Obrigada.
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