domingo, 21 de dezembro de 2014

De repente você olha para o lado e se vê completamente submersa nas coisas que resolveu "fazer daqui a pouco" e que na verdade não fez hora nenhuma. Ao meu redor existe um ano que trabalhos abandonados, engavetados, desanimados e desmotivados, isso não é legal, não mesmo, pode acreditar (conhecimento de causa).
Teste num dia de sol lá fora, num fim de semana agradável, organizar um ano de vida congelada, um ano de coisas que ficaram pra amanhã (e esse amanhã nunca chegou). Num primeiro instante dá vontade de sair correndo, aí você para e respira, então deseja que a vida seja um computador e que você possa simplesmente formatar sem nem mesmo fazer o backup (como isso seria maravilhoso), só que você não pode fazer isso, até porque no meio dessa bagunça existem coisas que não são só suas, pois sempre tem alguém envolvido (mesmo que seja aquela sua tia distante pra quem você prometeu mandar as fotos do natal -passado-), só pra complicar as coisas.
Teste (já é o segundo) organizar as coisas físicas primeiro, jogue fora aquele monte de papel velho que você guardou achando que ia precisar (sabendo no fundo que nunca mais iria mexer), separe os livros, aponte os lápis, mas pode ser que isso também não dê certo, às vezes você para em frente sua máquina de escrever e percebe que ela não tem o número 1 e fica ali por horas tentando lembrar o porquê a bendita não tem o tal 1 e se algum dia ela já teve (por que raios eu só fui perceber isso agora?!).
Daí você resolve ir tomar banho (depois da odisseia inteira), carambolas, por que não pensou nisso antes?! Não existe melhor lugar pra se resolver os problemas do que debaixo do chuveiro (acho que é pelo fato do papel e da caneta ficarem longe e você ser obrigado a escrever no vidro do box com o sabonete, só pra sua mãe te xingar depois).
Aaaaah o banho, parte mais gostosa do dia, onde tudo flui, o que parecia tão impossível agora tem solução simples (quando eu tiver meu home office com certeza ele será debaixo do chuveiro). Depois de mil e uma ideias você se enrola –renovado- na toalha, transcreve os escritos do box pra um papel (vê se não esquece de limpar o vidro), faz a dancinha da vitória e quando vê já tá pra lá de tarde, você tá morrendo de sono, teve um dia cheio (provavelmente seus problemas não vão sair do lugar), quer saber de uma coisa: "Ah, amanhã eu faço!”.

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