quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O movimento é constante na cidade cinza, o sol se move sobre o cinza, o céu estático também se move. Os prédios se movem para cima, os elevadores dos edifícios se movem, para cima e para baixo. Os carros se movem entre as mãos, as contra mãos e sob as mãos, enquanto as avenidas e ruas se movem aos nossos olhos quando nos movemos sobre elas. Os olhos se movem no meio de cinzas, brancos, pretos e pardos, e se movem mesmo fechados. O corpo se move, dança e contempla, é movido, provocado, empurrado de encontro ao movimento, de encontro às massas, de cara no asfalto. Os pés da bailarina se movimentam no cinza da cidade, flutuam no cinza do céu nublado, no cinza da fuligem dos carros, do coração amargurado, dos olhos cegos de ver o cinza.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Minha querida Jane, agora tudo faz sentido, eu não sei o que te dizer... 
Chovia e enquanto a multidão se esbarrava, passava apressada entre carros e ônibus eu entendi tudo o que você queria me dizer. Deus do céu! Como está tudo tão claro, eu me sinto envergonhado, eu não pude ver, mas agora eu sei qual era o problema. Se eu soubesse antes, eu diria para ser um pouco egoísta, mas agora só posso dizer para pegar os cacos no chão e levantar. Eu não quero me afastar, mas não posso suportar te magoar. Pode chorar se quiser, eu posso te abraçar se não se importar. Eu sei que está aí Jane, talvez você tenha medo de me contar os seus pesadelos, eu sei que está aí, eu sinto a sua dor ou o que quer que seja isso aí no peito. Não sei se esse é o melhor caminho, não sei qual o caminho, mas você está no seu, continue, corra se quiser. Me desculpe Jane por ter sido cego, por esta pedra ou invés de flores, eu não percebi que era você, esse tempo todo, na montanha russa. Eu vou ficar aqui mais um pouco, debaixo da chuva, no caminho contrário. 
Vá lutar, fique bem. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Todos os dias eu sento em frente ao computador, abro um documento e me ponho a escrever, geralmente acompanhada de um vinho, um café ou um chá com mel. A primeira linha chega a ser aceitável, na segunda eu já me perdi e a terceira eu não me atrevo a começar. Eu estou vivendo a minha própria seca literária, ou uma retaliação pessoal quanto aos temas que me proponho a escrever. Estou em meio à paz e ao caos, traumatizada por ser interpretada de forma errada ou colocada no lugar dos meus personagens, ou mesmo confusa pelo turbilhão de sentimentos que me atacam e me fazem pular de um assunto para outro. Espero sinceramente que depois desse "desabafo" eu consiga escrever, uma linha que seja, sem a nuvem de bloqueio que me ronda ou a estupidez que me faz desistir.