quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O movimento é constante na cidade cinza, o sol se move sobre o cinza, o céu estático também se move. Os prédios se movem para cima, os elevadores dos edifícios se movem, para cima e para baixo. Os carros se movem entre as mãos, as contra mãos e sob as mãos, enquanto as avenidas e ruas se movem aos nossos olhos quando nos movemos sobre elas. Os olhos se movem no meio de cinzas, brancos, pretos e pardos, e se movem mesmo fechados. O corpo se move, dança e contempla, é movido, provocado, empurrado de encontro ao movimento, de encontro às massas, de cara no asfalto. Os pés da bailarina se movimentam no cinza da cidade, flutuam no cinza do céu nublado, no cinza da fuligem dos carros, do coração amargurado, dos olhos cegos de ver o cinza.

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