domingo, 8 de novembro de 2015

Foi a primeira vez que eu te vi, foi aleatório e eu tive a certeza de que nunca mais veria, qual a chance de se viver numa cidade grande e se esbarrar com a mesma pessoa sem ao menos conhecê-la, no centro da cidade, atravessando um sinal no horário de pico, zero. Houve um tempo em que eu acreditava na força do universo, agora já não sei mais no que acredito, mas alguma coisa aconteceu, nos poucos instantes em que nossos olhares se cruzaram. Eu não sei se te vi dando um sorriso de canto de boca, não lembro bem qual era minha expressão, acho que nenhuma. Aquele dia choveu durante a noite, eu gosto muito de noites chuvosas, fico horas olhando pela janela do quarto, imaginando a vida lá fora, as luzes da cidade, as poças de água, o cheiro de molhado. Certamente o destino ou o universo nem se dará conta da conexão que foi estabelecida entre nós, dos segundos em que estivemos unidos. Eu atravessei o mesmo sinal, com atenção, naquele mesmo horário, durante uma semana, agora acredito que não seja assim que as coisas funcionem. Aos poucos eu me esqueço do seu rosto, dos seus olhos e do possível sorriso de canto de boca. Peguei-me pensando na chuva, na forma como adormeci na cadeira, corpo torto, luz acesa. Acordei do meu sonho, sem saber o que não foi real, eu me lembro da chuva gostosa, talvez devesse sair qualquer dia desses, na noite chuvosa, tomar um vinho, ver a cidade, sentir seu cheiro. Às vezes me lembro de um rosto, não sei bem, andava no frio, as seis de um dia de inverno nublado, naquele horário de pico e semáforos acesos.

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